Elaboramos, juntamente com especialistas da Secretaria da Saúde do estado de São Paulo uma cartilha, no formato de perguntas e respostas, para dirimir dúvidas e auxiliar os estabelecimentos de ensino no combate aos efeitos da gripe H1N1. Abaixo publicamos entrevista feita pela FENEP com a Dra. Clélia Maria Sarmento Souza Aranda, coordenadora do Controle de Doenças e Dra. Denise Brandão, infectologista.
Como a Secretaria de Saúde se organizou para o enfrentamento da pandemia, de gripe no estado de São Paulo?
Dra. Clélia Aranda - Desde 2005 a secretaria de estado elaborou um plano para o enfrentamento da pandemia de influenza. Este plano é consonante com o plano brasileiro, elaborado à mesma época, e com as recomendações da Organização Mundial de Saúde
Como é a coordenação das ações para o controle da doença?
Dra. Clélia Aranda - A Secretaria de Saúde tem na sua organização a Coordenadoria de Controle de Doenças onde estão localizados os principais órgãos responsáveis pelas ações de Vigilância Epidemiológica, Vigilância Sanitária, Laboratório de Saúde Pública - o Instituto Adolfo Lutz - dentre outros. Esta coordenadoria tem atuado junto ao Ministério da Saúde e secretarias municipais implementando as ações prioritárias para a notificação, diagnóstico, tratamento, monitoramento e análise dos casos no estado de São Paulo. De que maneira a Secretaria tem conhecimento dos casos no estado?
Dra. Clélia Aranda - Todos os casos suspeitos precisam ser notificados pelos hospitais, ambulatórios e consultórios às autoridades de saúde municipais e estas à Secretaria Estadual. As coletas de amostras seguem rigorosamente os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, bem como a disponibilização da medicação específica, se houver necessidade.
Pais preocupados, voltam ou não voltam às aulas?
Dra. Clélia Aranda - Neste momento, a recomendação do Ministério da Saúde é de que alunos e funcionários doentes não devem freqüentar a escola até que estejam completamente restabelecidos.
Estudantes ou funcionários que apresentam a síndrome gripal (febre, tosse e dor de garganta) devem ir a escola?
Dra. Denise Brandão - Estudantes ou funcionários com sintomas de gripe não devem ir à escola por 7 dias. É importante orientar que mesmo que haja melhora dos sintomas o afastamento deve ser de 7 dias – desde o início dos sintomas - , pois durante este período há risco de transmissão. Além disso, todos devem ser orientados a não visitar colegas com sintomas de gripe. Caso um funcionário ou aluno que vem a apresentar os sintomas ao chegar à escola ou durante sua estada, qual é o procedimento?
Dra. Denise Brandão - Devem ser orientados a ir para casa e procurar seu médico ou serviço de saúde para avaliação clínica e conduta.
Reservar um local que evite contato com outras pessoas, para não infectá-las, enquanto aguarda ser encaminhado ao seu domicílio ou à unidade de saúde. Além disso, alunos e funcionários devem ser orientados a não ir à escola por 7 dias. O estabelecimento escolar deve colaborar com as autoridades de saúde pública da região. Neste sentido acompanhar o número de visitas à enfermaria escolar e o absenteísmo diário pode identificar a ocorrência de surtos e é importante a notificação desta situação à autoridade sanitária municipal. A divulgação de ações de prevenção de doenças infecciosas e promoção de saúde também são relevantes.
Quais as formas de contágio e as medidas de precaução que visam impedir a disseminação do vírus?
Dra. Denise Brandão - O contágio da influenza se dá pela transmissão de pessoa a pessoa através da tosse ou espirro e eventualmente por contato com secreções respiratórias do indivíduo doente. Quais as medidas gerais para prevenção?
Dra. Denise Brandão - Evitar contato com pessoas doentes e realizar a higienização das mãos com água e sabão freqüentemente. O uso do álcool-gel para higienização de mãos é uma alternativa quando a lavagem com água e sabão é inexistente.
Quais as medidas que o serviço de higienização e manutenção da escola devem tomar em relação a limpeza geral da escola, salas de aula, banheiros, bebedouros, telefones, nextel, etc.?
Dra. Denise Brandão - A limpeza da escola deve ser feita normalmente com água e sabão e outros produtos já utilizados habitualmente. Produtos a base de cloro e álcool são eficientes para eliminar o vírus. Álcool a 70% pode ser utilizado em superfícies como mesas, maçanetas, telefones e bebedouros para complementar a limpeza após a limpeza com água. Nos banheiros podem ser usados produtos contendo cloro na sua composição. Antes de utilizar qualquer um destes produtos é importante verificar se não danificam as superfícies onde serão utilizados.
Nossa escola tem berçário e educação infantil, quais os cuidados preventivos que devemos tomar em relação: a. ambiente e seu entorno
Dra. Denise Brandão - Como já mencionado, a limpeza pode ser realizada normalmente com água, sabão e outros produtos utilizados habitualmente.
b. relação interpessoal de funcionários e crianças
Funcionários e crianças com sintomas de gripe não devem ir ao berçário e medidas educativas devem ser implantadas com ênfase na higienização das mãos e na orientação de etiqueta respiratória, ou seja, utilizar lenço para cobrir a boca e o nariz em caso de tosse e espirro. É importante orientar que não se deve compartilhar talheres, copos ou toalhas.
c. brinquedos, chupetas, mamadeiras; higiene e possíveis trocas, aparelho de inalação
Os brinquedos que são compartilhados por todas as crianças devem ser lavados com maior freqüência utilizando inclusive álcool 70%.
Mamadeiras e chupetas devem ser de uso individual, ou seja, não devem ser compartilhados por várias crianças. Lavar com água e sabão após cada uso e fervura em água por 15 minutos é importante
Não realizar inalação no berçário, pois este procedimento gera aerossóis aumentando a possibilidade de transmissão do vírus. Inalações devem ser realizadas em serviços de saúde que estão preparados para a realização destes procedimentos
O uso de vaporizadores para manter a umidade do ambiente, se esta for necessária, não estão contra-indicados.
d. tanque de areia
Sem orientações específicas.
e. animais de estimação: tartaruga, cão, periquito , galinha, etc.
Não há risco de transmissão do vírus por meio do contato com animais de estimação. Em relação as crianças do ensino fundamental 1 e 2 , que cuidados com sua relação interpessoal? e os adolescentes que tem um contacto físico intenso ?
Dra. Denise Brandão - Para alunos de todas as faixas etárias deve-se investir em medidas educativas com ênfase na higienização das mãos, etiqueta respiratória e na orientação de não compartilhar copos, talheres e toalhas.
Neste momento de pandemia é importante providenciar alternativas, para alunos que necessitam ficar em isolamento domiciliar, para não prejudicar o acompanhamento das atividades e cumprimento das atividades curriculares (provas, trabalhos, deveres de casa, etc)
Alguns locais especiais na escola como: laboratório, anfiteatro, refeitório comunitário, cantina, sala dos professores; Quais os cuidados necessários? Manuseio de alimentos?
Dra. Denise Brandão - Nestes locais os cuidados com a limpeza devem ser os mesmos citados anteriormente e não há orientações específicas para o manuseio de alimentos. Estes locais que propiciam aglomerados de pessoas, devem ter ventilação e, se necessário, estabelecer horários diferentes para reduzir o número de pessoas que participam destas atividades em cada turno. Relembramos que estes também são fatores que fortalecem a adoção de afastar os alunos e funcionários doentes.
Temos crianças especiais; Down, cadeirantes, etc . Tem mais risco? Quais cuidados são necessários?
Dra. Denise Brandão - Crianças com Down podem apresentar cardiopatias crônicas e com isso apresentam maior risco para desenvolver complicações quando infectadas tanto pela influenza sazonal quanto para a Influenza AH1N1. Dessa forma, estas crianças devem passar por avaliação e acompanhamento médico caso apresentem sintomas de gripe. Não há orientações específicas para as demais crianças especiais.
Temos piscina e ou academias, fanfarra em nossa escola, quais são os cuidados?
Dra. Denise Brandão - Não há orientações específicas, mas é importante destacar que lugares com aglomerações devem ser evitados, pois aumenta a possibilidade de transmissão do vírus. Temos serviço de transporte em nossa escola, que cuidados devemos ter?
Dra. Denise Brandão - Crianças com sinais de gripe não devem ir à escola, e, portanto, não devem usar o transporte escolar.
Além disso, é importante melhorar a ventilação do veículo e higienizá-lo com álcool 70%.
Em relação à secretaria , tesouraria da escola e lojinha de artigos escolares, que lidam com público externo, requer algum cuidado especial?
Dra. Denise Brandão - Não há cuidados especiais, as recomendações são as mesmas para os demais ambientes: limpeza, ventilação, sem a frequência de pessoas doentes... Temos atividades extracurriculares, tais como: olimpíadas internas e externas, passeios a zoológico, teatros, estação ciência; que cuidados preventivos devemos ter?
Dra. Denise Brandão - As orientações são sempre as mesmas: higienização frequente das mãos, cobrir boca e nariz com lenço ao tossir ou espirrar. Entretanto, aglomerações devem ser evitadas, pois aumentam a possibilidade de transmissão do vírus indicando a necessidade de, neste momento especial, buscar soluções alternativas e criativas que não prejudiquem o convívio com tais atividades.
Nossas reuniões pedagógicas de pais e mestres, requerem alguma atenção?
Dra. Denise Brandão - Não. Recomenda-se aproveitar estes momentos para fortalecer as orientações de prevenção e promoção a saúde já mencionadas.
Como os professores podem e devem orientar seus alunos?
Dra. Denise Brandão - Devem informar as formas de transmissão do vírus e, principalmente, as medidas de prevenção. Qual faixa etária a doença pode se tornar mais grave?
Dra. Denise Brandão - Em crianças abaixo de 2 anos e em adultos acima de 60 anos. Crianças com doenças crônicas (cardíacas, pulmonares, diabetes, imunodeprimidas) necessitam de avaliação e acompanhamento médico durante o quadro gripal.
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